terça-feira, 11 de abril de 2017
Um lugar ao sol
O documentário UM LUGAR AO SOL, de Gabriel Mascaro, exibido na sala Humberto Mouro no Palácio das Artes apresenta uma realidade na qual se inserem pessoas que detêm grande influência na sociedade. Seus nomes se encontram no Catálogo de pessoas mais influentes do Brasil, que é mostrado no início do filme. Nele são apresentados pontos de vista das pessoas que residem em coberturas nas cidades de Recife, Rio de Janeiro e São Paulo levando em conta o por quê da decisão de morar nesses lugares e o que isso influencia em suas vidas.
Uma característica interessante é que a equipe de produção quase não faz intervenções nas falas dos entrevistados e o que torna o filme mais chocante é exatamente a opinião dessa elite brasileira sem manipulações e intervenções. Ouvir alguém dizer, com um sorriso no rosto, que acha lindo a guerra de gangues no Rio de Janeiro porque as balas perdidas brilham como fogos de artifício ou que acha que o fato de estar em uma cobertura garante uma proximidade maior com Deus ou que aluga um avião particular toda vez que quer ver o céu é muito confuso porque isso faz parte de uma realidade na qual a maioria dos brasileiros não está inserida. O contexto vivido por essas pessoas lhes permite privilégios inalcançáveis para a população em massa, isso faz com que as realidades dessas duas camadas seja completamente diferente e que a elite não entenda e não se preocupe com a forma como os outros (sobre)vivem. Isso gera uma grande preocupação, já que o poder de influência já citado coloca na mão dessas pessoas, que apresentam, em sua grande maioria, uma visão limitada e individualista de mundo, as condições de vida da população menos elitizada que, provavelmente nunca terá seu lugar ao sol, até mesmo porque a verticalização das cidades limita literalmente os lugares ao sol.
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