No texto "Animação cultural" de Vilém Flusser, uma das ideias mais marcantes é a de que objetos criados pela humanidade possuem consciência e poder de discussão, já que são apresentados argumentos para justificar a "Revolução objetiva". Essa personificação é feita de tal maneira que a discussão proposta pela "mesa redonda" ganha um caráter muito humanizado, em vista que os argumentos utilizados são plausíveis. Isso é outra ideia que chama atenção porque, apesar de ser cientificamente impossível objetos apresentarem consciência própria, as ideias e justificativas da revolução são coerentes pois sem a capacidade de criar e construir objetos a humanidade seria, provavelmente, apenas mais uma espécie de animais que habitam a terra.
Em contraposição, é possível analisarmos o texto não como uma personificação dos objetos e sim como uma objetificação do ser humano. A sociedade contemporânea apresenta aspectos sociais cada vez mais individualistas, não há uma consciência de união, por isso, as pessoas são tratadas como objetos, vistas como variáveis que podem auxiliar ou não o indivíduo a alcançar seu objetivo. Portanto a humanidade passa por um processo de auto-objetificação.
Outro aspecto da sociedade atual que contribui para a transformação simbólica de pessoas em objetos é o consumismo exacerbado e a alienação promovida, principalmente, pelos produtos de massa. O desejo de consumo e de posse, constantemente incentivado, ultrapassou o senso de sobrevivência e de necessidade, a qualidade de vida passou a ser vinculada à quantidade de objetos/bens e não ao bem estar pessoal ou ao cuidado com o ser humano em si. Os objetos se tronaram mais importantes que as pessoas que se encontram ao redor, dentro do nosso ciclo de convivência. Essa crítica presente no texto nos faz questionar se a "Revolução objetiva" é realmente uma ficção ou se estamos caminhando para uma realidade na qual os objetos são humanos e os humanos são objetos.
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